27 de março de 2008

coisas que eu amo

'As coisas que eu amo,
Fogem-me das mãos,
Loucas e céleres.
Esfumaçam-se por entre as paredes do meu quarto-forte.
E já não as tenho
E por isso sofro.
E perambulam por entre as horas,
Sem se importarem com o dia!
E as vejo cada dia mais lindas
Como rosas plantadas.
As coisas que amo
Se perpetuam, porque não as esqueço.
São coisas minhas.
Coisas que nascem e morrem dentro do coração!'

16 de março de 2008

"ENGANO E VAIDADE" E OUTROS SONETOS

ENGANO E VAIDADE

A Treu

Ambos erramos. Eu, quando o deixei,
Mas sentindo a constância da saudade.
Tu, quando fiquei só e, por vaidade,
Não me perdoaste, e, livre, retomei.

Tentei debalde; nunca mais amei...
Tomei-me pária, errante, na orfandade,
Buscando uma suposta afinidade.
Ó leda fantasia que sonhei!...

Vivendo assim, cansados de sofrer:
Distantes – penso em ti e tu, em mim.
Como é triste o refúgio sem nos ver...

Este é o látego amargo de perder
O verdadeiro amor, esse festim
De dois, unidos para florescer.

(Maria Eleonora Cajahyba)