9 de novembro de 2008

Poesia Regional

Texto do poeta Ruy Espinheira Filho, de Jequié.

Autoridade
.
o Dr. Juiz de Direito
decidido
mandou prender o bêbado
mandou prender o desordeiro
mandou prender o assassino
e uma vez mandou proibir os bodoques
para proteger as vidraças
.
Mas no fundo das noites
os lobisomens
uivaram e vagaram impunimente
até o fim.

30 de outubro de 2008

Quiça!?

.
Madrugar ao sol do Rio;
Ver o rio descer pro mar;
Namorar ao doce frio
que o Rio tem pra nos dar.
.
Essa hora que se esvai
pelos cantos dos abraços,
quando em laços imortais
dos meus medos me desfaço.
Eu te encontro bem na porta
ou na cama já deitada.
A madame em minha rota;
a duquesa, minha fada.
Por janelas ou sem sono,
me escondo entre sorrisos.
Sendo bom aos teus encontros
para assim ser teu amigo.
.
E agora já entregue
entre lábios naturais
percebo o quanto vale
a imagem que se faz
E as damas que me foram
são donzelas que estimo
Tenho agora doce zelo,
mais respeito e todo mimo.
.
Volto ao chão bem mais correto
e a tristeza, enfim, que vá.
Hoje estou assim completo
e o futuro, então, quiça!?
.
.
.
Relato de um momento a ser lembrado com muito carinho.

26 de setembro de 2008

O Fantástico poder das Palavras.

Só pssaoes epsertas cnsoeugem ler itso.
Eu não cnogseui acreidatr que relmanet
pidoa etndeer o que etvsaa lndeno.
O pdoer fnemoeanl da mntee huamna,
de aorcdo com uma psqueisa da
Unvireisadde de Cmabrigde,
não ipmrota a odrem em que as lteras
em uma plavara etsão,
a úcina cisoa ipmotratne é que a piremira
e a útimla ltreas etseajm no lguar ctreo.
O rseto pdoe etasr uma ttaol bnauguça
e vcoê adnia pdoreá ler sem perolbmea.
Itso pruqoe a mtene haunma não
lê cdaa lreta idnvidailuemtne,
mas a pvrlaaa cmoo um tdoo.
Ipessrinaonte hien?
É e eu smrepe pnenesi que
slortaerr era ipmorantte!
Se vcoê pdoe ler itso pssae aidntae !!!

...impressionante !!!!!!!!!!!

18 de setembro de 2008

Vasculhando os cadernos

Quero lançar um livro coletânea de textos da AJIVE. Para isso precisamos saber quem esta disposto a oferecer seus escritos para fazerem parte deste projeto. Vamos vasculhar nossos cadernos em busca de materiais que sejam importantes para tal. Vamos investir em nossos prazeres. E se escrever é um prazer, então estamos perdendo tempo.
...
Quero criar uma editora local, para lançar livros de nossas autorias e investir na produção literária da região. É uma coisa pequena, mais que pode dar certo. Já tenho até uma logomarca...


Meu gato foi uma bela fonte de inspiração! (rsrsrsrs)

...

E ai!? Quem tá afim de participar?

O recomeço

Quem dirá que é o fim
se o juiz não apitou?
A bola ainda rola
e eu quero fazer o gol.
.......................................
Nos acrécimos da vida
lá pelas tantas de estar sem tempo
quando o vento acha um segundo pra nos varrer a cara
é que se dispara o coração.
.......................................
Vamos recomeçar o que não acabou
e cada um num passe que engane o que não vingou
porque de agora em diante
vamos ser mais vibrantes
mais amantes
mais brilhantes
assim como antes
porque agora é...
GOOOOOOLLLLLLLL!!!!!!!!!!!!!!!

18 de maio de 2008

Adeus AMADA!

"Continuo achando graça nas coisas, gostando cada vez mais das pessoas, curiosa sobre tudo, imune ao vinagre, às amarguras, aos rancores."
Morreu ontem às 16h30, aos 91 anos, em Salvador, a escritora baiana Zélia Gattai, escritora de grande expressão no cenário nacional.
Lá foi ela rever seu grande amor........
Pequena Biografia de sua vida:
Zélia Gattai é uma escritora brasileira, viúva do também escritor Jorge Amado. Filha dos imigrantes italianos Angelina e Ernesto Gattai, é a caçula de cinco irmãos. Participava, com a família, do movimento político-operário anarquista que tinha lugar entre os imigrantes italianos, espanhóis, portugueses, no início do século XX. Aos vinte anos, casou-se com Aldo Veiga. Deste casamento, que durou oito anos, teve um filho, Luís Carlos, nascido em São Paulo , em 1942. Leitora entusiasta de Jorge Amado, Zélia Gattai o conheceu em 1945, quando trabalharam juntos no movimento pela anistia dos presos políticos. A união do casal deu-se poucos meses depois. A partir de então, Zélia Gattai trabalhou ao lado do marido, passando a limpo, à máquina, seus originais e o auxiliando no processo de revisão. Em 1946, com a eleição de Jorge Amado para a Câmara Federal, o casal mudou-se para o Rio de Janeiro, onde nasceu o filho João Jorge, em 1947. Um ano depois, com o Partido Comunista declarado ilegal, Jorge Amado perdeu o mandato, e a família teve que se exilar. Viveram em Paris por três anos, período em que Zélia Gattai fez os cursos de civilização francesa, fonética e língua francesa na Sorbonne. De 1950 a 1952, a família viveu na Checoslováquia, onde nasceu a filha Paloma. Foi neste tempo de exílio que Zélia Gattai começou a fazer fotografias, tornando-se responsável pelo registro, em imagens, de cada um dos momentos importantes da vida do escritor baiano. Em 1963, mudou-se com a família para a casa do Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia, onde tinha um laboratório e se dedicava à fotografia, tendo lançado a fotobiografia de Jorge Amado intitulada Reportagem incompleta.Aos 63 anos de idade, começou a escrever suas memórias. O livro de estréia, Anarquistas, graças a Deus, ao completar vinte anos da primeira edição, já contava mais de duzentos mil exemplares vendidos no Brasil. Sua obra é composta de nove livros de memórias, três livros infantis, uma fotobiografia e um romance. Alguns de seus livros foram traduzidos para o francês, o italiano, o espanhol, o alemão e o russo. Anarquistas, graças a Deus foi adaptado para minissérie pela Rede Globo e Um chapéu para viagem foi adaptado para o teatro. Baiana por merecimento, Zélia Gattai recebeu em 1984 o título de Cidadã da Cidade do Salvador.Na França, recebeu o título de Cidadã de Honra da Comuna de Mirabeau (1985) e a Comenda des Arts et des Lettres, do governo francês (1998). Recebeu ainda, no grau de comendadora, as ordens do Mérito da Bahia (1994) e do Infante Dom Henrique (Portugal, 1986).

3 de abril de 2008

Vasculhando arquivos

Vasculhando arquivos antigos encontrei esse texto do qual desconheço a autoria, mas pelo fato de falar de Jitaúna achei válido postá-lo aqui.


Jitaúna em prosas e versos.

Jitaúna boa terra
De festas fenomenais
Do cacau, da primavera
Micaretas, não carnavais.

Sua gente hospitaleira
De famílias tradicionais
Em Maria a Padroeira
Coloca seus ideais.

E as barracas enfeitadas
Na festa da Padroeira
Ainda hoje, tão lembrada
Bem assim, as brincadeiras


Tem São Pedro e São João
Festejados na Pracinha
Ladainhas de Montão
Com cânticos na igrejinha

E as festas de formatura
Ainda hoje tão participadas
Cheias de brilho e cultura
De gente bem preparada

Muita coisa engraçada
Já aconteceu em Jitaúna
Num FUSCA entrou uma vaca
Deixando de fora a bunda.

Tanta gente a empurrar
Pra vaca sair dali
E o dono a cafangar
Se ela entrou, tem que sair.

Em rumo ao matadouro
No meio das ruas passavam
Vacas e valentes touros
E a todos apavoravam.

A política era acirrada
Por charangas animada
Mija Gás já foi chamada
Esta terra tão amada.
Terra de moças bonitas
De coronéis respeitados
De grandes festas juninas
De Juíza e magistrados

Tinha gente com muita fama
De ter grande valentia
Falava-se até dos capangas
Que da profissão vivia.

E a enchente?
E o acidente do caminhão?
E o cacau enriquecendo o povo?
E o carro de bomba na explosão?

Foi muito triste se vê
Tudo o que aconteceu
O cacau a se perder
Quando a vassoura de bruxa o corroeu.

Falamos do seu passado
Das alegrias e tristezas
Dos seus santos festejados
Da pobreza e da nobreza

Jitaúna, o teu tesouro
São teus filhos que aqui estão
Para eles, tu vales ouro
Pedaço amado, desta nação.

27 de março de 2008

coisas que eu amo

'As coisas que eu amo,
Fogem-me das mãos,
Loucas e céleres.
Esfumaçam-se por entre as paredes do meu quarto-forte.
E já não as tenho
E por isso sofro.
E perambulam por entre as horas,
Sem se importarem com o dia!
E as vejo cada dia mais lindas
Como rosas plantadas.
As coisas que amo
Se perpetuam, porque não as esqueço.
São coisas minhas.
Coisas que nascem e morrem dentro do coração!'

16 de março de 2008

"ENGANO E VAIDADE" E OUTROS SONETOS

ENGANO E VAIDADE

A Treu

Ambos erramos. Eu, quando o deixei,
Mas sentindo a constância da saudade.
Tu, quando fiquei só e, por vaidade,
Não me perdoaste, e, livre, retomei.

Tentei debalde; nunca mais amei...
Tomei-me pária, errante, na orfandade,
Buscando uma suposta afinidade.
Ó leda fantasia que sonhei!...

Vivendo assim, cansados de sofrer:
Distantes – penso em ti e tu, em mim.
Como é triste o refúgio sem nos ver...

Este é o látego amargo de perder
O verdadeiro amor, esse festim
De dois, unidos para florescer.

(Maria Eleonora Cajahyba)

28 de fevereiro de 2008

Os dias passam assim


'Os dias passam assim sem mais.
sem mais esperança,
sem mais um quê ou porquê.
Aparecem e desaparecem com um pouco mais.
Um pouco mais de pressa,
um pouco mais de desilusão.
Agora revejo peças de outrora
e percebo quanto os dias passam
e eu continuo num misto de sentimento
que ás vezes me embriaga e tira a lucidez
Mas, ainda assim sigo a sinfonia dos dias
sem mais tempo, com mais pressa.
Que inútil!'

10 de fevereiro de 2008

de VOLTA de NOVO

Surgiu no meio do povo um boato
que meu proximo ato
era sumir desse mundo.
Desminto
e me inundo da verdade cabreira
que a proxima estréia
vai ser, a minha maneira,
Calada e Discreta,
como sempre me fui.

RS...

19 de janeiro de 2008

Sentir

[Cinco minutos para mim... toda uma vida para os demais.
Não há segredos para viver, não há desculpas para mudar.
Como o vento vou viajar e numa nuvem poderei descansar.
... Meus amigos de repente serão a paciência e a solidão.
Partirei de meus equívocos e os farei acertos ao caminhar.
O mais difícil simples se tornará e a tempestade finalmente calma será.]

11 de janeiro de 2008

Visão ESP(a/e)CIAL


Nem tudo é tão pequeno quanto parece
nem tão grande como tememos
...
cada passo nos leva a outro lugar
que as vezes é o mesmo

5 de janeiro de 2008

Até logo.

Vou sair de casa agora,
pois as asas crescem
ao mesmo tempo que o peito chora.
Vou ali,
mas não vou embora.
E não demora
pr'eu retornar.

3 de janeiro de 2008

Otária

' Imagem no espelho, diz: - otária.
eu, retruco: - não sou! tá. Eu sei que eu deveria tomar certas decisões, mas não é tão simples. existem certas coisas que...
Imagem no espelho, interrompe: - quando você diz isso, parece ainda mais otária.
*silêncio*
Eu, brado: - oras! Não passa de uma imagem à toa!
Imagem no espelho, ironicamente: - e ainda assim, tenho sido o melhor de você.
*silêncio*
imagem no espelho, conclui: - Otária.'

1 de janeiro de 2008

Ano Novo

O povo se veste pra festa
A rua de branco desfila
Levam o respeito que resta
E a hipocrisia se destila.
O que é real não se sabe!
O povo se encontra na praça
Sem graça a noite se passa
Até a contagem esperada
Até o estourar dos rojões
Vai-se a madrugada
vem um novo dia
e tudo que me cresce
é essa antipatia
Lá vou eu no ano novo
diferente e igual
a tudo que se apresenta no povo
Mediocre e triste.
Dentro de mim
explode a furia da certeza
de que nada vai mudar.